Crítica | Remake brasileiro de ‘Quarto do Pânico’ acerta ao trocar Hollywood pela tensão social de São Paulo

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Mexer em um clássico de David Fincher (o diretor de Clube da Luta e Se7en) parecia uma missão suicida. Mas a versão brasileira de “Quarto do Pânico”, que chega aos cinemas, prova que é possível reinventar uma história quando se tem algo novo a dizer.

Dirigido por Gabriela Amaral Almeida, o filme é descrito pela crítica como uma “ótima adaptação” que traduz o medo da classe média alta americana pós-11 de setembro para a brutal realidade das desigualdades e da misoginia brasileira.

O Terror é Real (e Brasileiro) 🇧🇷

Na trama, Ísis Valverde vive Mari, uma viúva recente que se muda com a filha (Marianna Santos) para uma mansão em São Paulo equipada com um quarto de segurança máxima. O que deveria ser um refúgio vira uma armadilha quando três invasores entram na casa.

O grande trunfo do filme é o trio de vilões, que reflete as faces da nossa sociedade:

  • Marco Pigossi: Brilha como um playboy sádico e arrogante.
  • André Ramiro: O homem negro empurrado para o crime pela falta de opções.
  • Caco Ciocler: O psicopata frio e confortável na maldade.

Mais que Suspense

A crítica destaca que o filme usa a invasão para discutir o machismo estrutural. Para os invasores, as protagonistas são “apenas duas mulheres” — um obstáculo fácil. O roteiro de Fábio Mendes subverte essa lógica, transformando o “quarto do pânico” em um útero metafórico de onde a protagonista renasce mais forte para proteger sua cria.

É um thriller tenso, claustrofóbico e, acima de tudo, corajoso.

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