Crítica | Pacificador T2E2 Encontra o Tom Perfeito Entre o Caos de Superbad e o Drama do DCU

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Atenção: Este artigo contém spoilers detalhados do 2º episódio da 2ª temporada de Pacificador.

Após um episódio de estreia que lutou para reintroduzir suas peças e encontrar o ritmo, a segunda temporada de Pacificador engrena de vez em seu segundo capítulo. Sob a direção magistral de Greg Mottola, a série encontra o equilíbrio que a tornou um sucesso, orquestrando uma sinfonia de comédia hilária e drama genuinamente tocante. O resultado é um episódio que não apenas avança a trama, mas aprofunda seus personagens de forma significativa.

A Comédia Afiada de Greg Mottola: O Toque de Superbad no Universo DC

A influência de Greg Mottola, célebre por dirigir a comédia definidora de uma geração, Superbad – É Hoje, é sentida em cada interação cômica do episódio. A dinâmica entre Christopher Smith (John Cena) e o Vigilante (Freddie Stroma) ao tentarem se livrar de um cadáver multiversal é o palco perfeito para o humor disfuncional da série. O ciúme infantil e a necessidade de aprovação de Adrian, que anseia por um “bromance” com seu melhor amigo, geram momentos de pura genialidade cômica, especialmente quando confronta os outros parceiros de orgia do Pacificador.

Essa mesma energia é injetada no núcleo da A.R.G.U.S. com a introdução do agente Fleury (Tim Meadows). Seu humor peculiar, as piadas de teor duvidoso e as histórias bizarras — como sua autodiagnosticada “Cegueira Aviária” — criam uma dupla impagável com o sempre mal-humorado Economos (Steve Agee). Em ambos os núcleos, é impossível não enxergar o DNA de personagens como Seth e McLovin: diálogos rápidos, constrangedores e, acima de tudo, hilários.

O Peso do Multiverso: John Cena Brilha no Drama de um Herói Quebrado

Em contrapartida à comédia, o pilar dramático do episódio é sustentado por uma performance ainda mais vulnerável de John Cena. A angústia de Chris atinge novos patamares ao ser confrontado com a prova de uma vida melhor em outra dimensão. A descoberta das fotos de sua contraparte feliz ao lado de Emilia Harcourt (Jennifer Holland) não é apenas um artifício do multiverso; é um golpe devastador em sua já frágil autoestima.

A série usa essa premissa para explorar a tragédia do personagem: mesmo após salvar o mundo, ele se vê preso em um ciclo de solidão e fracasso, incapaz de se conectar com a Harcourt de sua realidade. Cena transmite com perfeição a dor de um homem que vislumbra a felicidade, mas a sente completamente fora de seu alcance, tornando sua jornada por redenção ainda mais complexa e comovente.

A Sombra de Corto Maltese: A Vingança de Rick Flag Sr.

O episódio também arquiteta com brilhantismo a motivação de seu antagonista. A introdução de Rick Flag Sr. (Frank Grillo), oito meses antes da trama principal, estabelece uma ameaça movida por uma dor profunda e compreensível. Ao revisar os arquivos da missão em Corto Maltese, ele não vê apenas um relatório; ele revive a perda do filho, Rick Flag Jr., assassinado pelas mãos do próprio Pacificador durante os eventos de O Esquadrão Suicida.

Essa conexão direta transforma a caçada de Flag Sr. em uma vingança pessoal e visceral. A transição de sua fúria para a icônica música de abertura da série é um dos momentos mais fortes da temporada até agora, amarrando o luto do pai ao conflito interno do protagonista.

O Veredito: Pacificador Começou de Verdade

Com uma cena de ação inventiva envolvendo o Eagly e o carisma contagiante de todo o elenco, este episódio coloca a série em seu devido curso. A direção precisa de Mottola encontrou a alma de Pacificador, equilibrando o absurdo com a humanidade. Agora, a questão que fica não é apenas se Chris Smith encontrará sua felicidade, mas se haverá espaço para seus amigos nesse final feliz que ele tanto busca em meio ao caos do novo DCU.

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