Dirigido por Chloé Zhao (Nomadland) e estrelado por Paul Mescal e Jessie Buckley, o filme narra a vida familiar de William Shakespeare e a morte de seu único filho homem, Hamnet. Mas até onde a história é real e onde começa a invenção?
Separamos o que é fato histórico e o que é liberdade poética na obra.
O Que é REAL ✅
- Hamnet existiu: Sim, William Shakespeare e Anne Hathaway tiveram um filho chamado Hamnet. Ele era gêmeo de Judith e morreu em 1596, aos 11 anos (provavelmente de peste bubônica).
- O Nome: Na época, os nomes “Hamnet” e “Hamlet” eram considerados intercambiáveis em documentos oficiais.
- A Cronologia: Shakespeare realmente escreveu sua tragédia mais famosa, Hamlet, poucos anos após a morte do filho.
- O Casamento: O dramaturgo realmente vivia longos períodos em Londres trabalhando, enquanto a família ficava em Stratford-upon-Avon.
O Que é FICÇÃO (ou Teoria) ❌
- A Inspiração Direta: Não existe nenhuma carta ou diário provando que Shakespeare escreveu a peça Hamlet como uma resposta ao luto pelo filho. Essa é uma teoria literária poderosa, mas nunca confirmada. O filme abraça essa teoria como verdade emocional.
- Agnes, a Mística: No filme (e no livro de Maggie O’Farrell), a esposa de Shakespeare é chamada de Agnes (o nome que consta no testamento do pai dela) e é retratada como uma curandeira ligada à natureza e com dons quase sobrenaturais. Historicamente, sabemos muito pouco sobre a personalidade real de Anne Hathaway. Essa versão “mágica” é criação da autora.
- Os Diálogos: Toda a dinâmica íntima do casal e as conversas sobre arte e morte são especulações modernas sobre como eles teriam se sentido.
Veredito: Hamnet é uma ficção histórica. Ele usa o esqueleto da realidade para preencher as lacunas do silêncio com emoção.