Diga “Sim” ao Horror: Novo filme de Nadav Lapid expõe a alienação da elite israelense em meio à guerra

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Se existe um cineasta que não tem medo de colocar o dedo na ferida de seu próprio país, é Nadav Lapid. O diretor israelense, aclamado em festivais internacionais, lança nos cinemas brasileiros o provocativo “Yes” (Sim), uma sátira feroz que expõe as tensões sociopolíticas de Israel no pós-7 de outubro.

Longe de ser um drama de guerra convencional, o filme mergulha na psique de uma sociedade que tenta ignorar o conflito vizinho através do hedonismo e da negação.

A Trama: “Sim” a Qualquer Preço 🎭

O filme acompanha Y. (Ariel Bronz), um músico, e Yasmine (Efrat Dor), uma dançarina. O casal, enfrentando a decadência na carreira e a necessidade de sobreviver em Tel Aviv, adota uma nova filosofia radical: dizer “sim” a tudo. Eles passam a animar festas bizarras da elite israelense, vendendo sua arte (e seus corpos) para entreter uma classe rica que deseja, desesperadamente, não pensar na guerra.

O Ápice da Polêmica 💣

O conflito moral da trama atinge o pico quando Y. recebe uma encomenda surreal: compor um novo hino nacional. O problema? A letra da canção deve profetizar e celebrar a destruição total de Gaza em um ano. Lapid usa essa premissa grotesca para criticar a apatia e a normalização da violência. Em uma das cenas mais comentadas, os personagens observam os bombardeios de longe, como se fosse um espetáculo de fogos de artifício, diretamente da chamada “Colina do Amor”.

Estilo “Caótico”

A crítica tem destacado a direção frenética de Lapid. A câmera não para, os cortes são bruscos e a energia é de um pesadelo febril, refletindo a ansiedade de uma nação à beira do colapso nervoso. É um filme difícil, incômodo e necessário para quem busca entender o cinema político contemporâneo.

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